Reflexão do dia 14 de outubro
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Lembrar-se da última bebedeira

A palavra é "bebedeira" e não "bebida".

"Bebida" é um termo que tem despertado ecos e expectativas gostosas em milhões de pessoas através de séculos. Dependendo da idade e das circunstâncias que envolveram nossas primeiras experiências com o álcool, todos nós temos diversas recordações e esperanças (às vezes, ansiedade), despertadas pelo pensamento de uma cerveja geladinha, uma batida, um gim tônica, um copo de vinho, seja lá o que for.

Com freqüência, ao começar a beber, a maioria das pessoas via suas expectativas satisfeitas com a bebida desejada. E, como isso ocorria com tanta assiduidade, nós também aprendemos a considerar a "bebida" como algo muito gratificante – que satisfazia nossa necessidade de participar de uma prática religiosa matava nossa sede, alegrava nossos contatos sociais, descontraía-nos, animava-nos, dava qualquer satisfação que quiséssemos.

Não é difícil para um finlandês de 55 anos, por exemplo, quando alguém sugere um aperitivo, lembrar-se do calorzinho gostoso proporcionado por uma dose de vodca ou aquavit na juventude. Uma jovem pode visualizar instantaneamente uma refinada taça de champanha ambiente elegante, vestido novo, novo namorado. Outra poderá pensar na garrafa tirada da sacola de um jovem barbudo, vestido de "jeans", que a acompanha, enquanto o "rock" balança, as luzes ofuscantes que relampejam através da fumaça flagrante, e todo mundo grita em êxtase. Um membro de A. A. diz que a palavra "bebida" quase o faz sentir o gosto de "pizza" com cerveja.

Uma companheira nossa, viúva de 78 anos, infalivelmente recorda os ponches de cereja que começou a saborear na hora de dormir numa clínica de repouso. Embora perfeitamente naturais, tais imagens para nós são enganosas atualmente. Essas foram as formas com que começamos a beber e, se toda a verdade de nossa carreira na bebida fosse só isso, é pouco provável que tivéssemos tido problemas com ela. Um exame minucioso e destemido de nossas experiências com a bebida, no entanto, revela que nos últimos anos ou meses o nosso beber já não recriava aqueles momentos lindos e mágicos, não importava o quanto tentássemos. Pelo contrário, cada vez acabávamos bebendo mais do que antes até pararmos envolvidos em alguma enrascada. Podia ser apenas um descontentamento interior, uma sensação sutil de estarmos bebendo demais: mas, às vezes, eram disputas conjugais, problemas no emprego, doença séria ou preocupações legais e financeiras.

Por isso, quando percebemos a sugestão de "beber", nós agora tentamos lembrar de todo o cortejo de conseqüências desencadeadas por um único gole. Pensamos em todo o curso de nossa bebida até a última bebedeira e a tremenda ressaca. nossas antigas noções de "bebida". A cura e real verdade para nós, de hoje em diante, é que uma "bebida" seguramente se transforma, mais cedo ou mais tarde, numa bebedeira, e isso significa apuro. Beber, para nós, já não representa isso: "Agora sei que parar para tomar um trago jamais será de novo, para mim, matar um pouco de tempo e deixar uns trocados no bar. Em troca daquela bebida, o que eu deixaria seria minha conta bancária, minha família, meu lar, meu carro, meu emprego, minha saúde e, provavelmente, minha vida. É um preço alto demais e um risco muito grande".

Ele se lembra da última bebedeira, não do primeiro gole.

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