Reflexão do dia 14 de outubro
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Os ouvidos do religioso

Frei Leopoldo Maria

Carmo do Paranaíba - Minas Gerais

Sou sacerdote capuchinho, pela graça de Deus. Não pertenço diretamente às fileiras dos AAs, mas há mais de 30 anos acompanho de perto, esta Irmanda-de maravilhosa.

Foi em Governador Valadares-MG, em 1975 que participei de uma reunião da Irmandade. Na outra semana já abri as portas da paróquia para a fundação de um grupo. Deste lá, continuei em todas as cidades onde atuei como sacerdote, freqüentando algumas reuniões, ajudando e incentivando a Irmandade.

Desejo, de coração um florescimento cada vez maior e que Deus conceda os ouvidos do padre, ao lado dos ouvidos do delegado e do médico são as portas abertas para receberem as reclamações, detectarem as angústias de uma mãe, de uma esposa ou de um filho por causa dos problemas que um pai de família, alcoólico, leva para os familiares.

Certa vez uma criança me falou no confessionário que o seu maior pecado é porque não gostava de seu pai.

Perguntei-lhe: por quê?

Ela disse que seu pai era um bêbado, que fazia todo mundo sofrer dentro de casa.

Para tranqüilizar a criança eu lhe disse:

Meu filho, você gosta muito do seu pai. Você não gosta é da bebida dele.

No mesmo instante a criança aliviada olhou para mim e disse:

É mesmo, é mesmo!

Sempre dou conselhos para encaminharem estes doentes ao local da recuperação: uma sala onde se reúne a Irmandade. Sempre afirmo; na cidade, ao lado da porta do lar e da igreja, a porta mais importante e abençoada é a porta do A.A.

No recinto da sala de reuniões se nota a presença do amor de Deus. Onde houver amor, Deus aí está, fala o evangelho.

Numa sala de A.A., afirmo:

Há amor fraternal que enlaça e une todos os membros. Há paz e afabilidade e todos se mostram felizes. Os membros, com suas presenças se ajudam reciprocamente.

Não obstante, nunca me cansei de ouvir depoimentos ao pé da mesa. São pessoas humildes, iletradas, ao lado de outras cultas, que nos encantam com suas palavras sinceras e verazes.

Pessoas que jamais teriam coragem de falar em público (a não ser bêbadas) se encontram tranqüilas e felizes, dando o seu depoimento aos outros.

Eu, pessoalmente, me encanto ao ouvi-las. Se passar um mês sem visitá-los já sinto falta daquele ambiente.

Só Deus poderá aquilatar o bem que a Irmandade faz ao mundo inteiro.

Desejo, de coração um florescimento cada vez maior e que Deus conceda mui-tas horas de sobriedade a todos os AAs mundo!

Fonte: Revista Vivência nº 110

 

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